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Sobre a escola de "antes"...

Atualizado: Nov 8

De uma maneira geral, somos todos um pouco resistentes às mudanças. Algumas pessoas mais, outras menos. A mudança traz na bagagem o desconhecido e o desconhecido, geralmente, caminha ao lado do medo. O medo, portanto, é a origem da resistência. O medo de não conseguir aprender o novo, o medo de não ser bom o suficiente, o medo de não dar conta de fazer como antes. Quando uma mudança se apresenta com características transitórias temos pressa de voltar ao que era antes. Acontece é que raramente esse “antes” ainda existe.


A mulher que engravida e logo quer voltar ao corpo de antes. O homem que casa e deseja o descompromisso da vida de antes. Não importa o gênero ou a idade, em algum momento da vida nos prendemos a algo que não existe mais. E, talvez, se conseguirmos mudar o foco do olhar, podemos perceber os benefícios que a mudança nos trouxe. O corpo da mulher que engravidou mudou, mas foi capaz de gestar, nutrir e, por fim, ganhou curvas novas. O homem casou, passou a ter novas demandas e compromissos, mas agora tem alguém com quem dividir as dificuldades e compartilhar as alegrias da vida.


O contexto da pandemia mudou as pessoas, mudou as relações, mudou os espaços, mudou as rotinas, mudou quase tudo... e mudou as escolas. Como todas as mudanças, a mudança na escola também chegou carregada de medo. Medo do enorme trabalho que precisava ser feito para mudar, medo das perdas que o novo trazia consigo, medo de não ter a mesma qualidade de antes, medo de não funcionar, medo de não se adaptar, medo de não suportar as mudanças. O medo é um bom alerta, é uma emoção que desperta em nós o cuidado, a atenção. Só deixa de ser bom se nos agarramos a ele e deixamos que seu peso nos impeça de caminhar.


A maior mudança percebida na escola foi no âmbito da tecnologia, com suas alegrias e mazelas. Hibridismo virou termo comum em nosso vocabulário. Plataformas e aplicativos invadiram nossa rotina. Novo jeito de fazer e de aprender. Ganhamos velocidade e diversidade na linguagem. O ensino híbrido demanda da escola uma variedade de linguagens, para dar aula, para avaliar, para pedir retorno aos alunos. Vídeos, fotos, games são recursos que despertam o interesse das crianças e trazem muito engajamento também. O grande desafio de agora é encontrar uma maneira equilibrada de seguir o fluxo das transformações sem negar a natureza do contexto em que estamos vivendo e preservando a infância dos excessos da vida moderna. Não há como contestar a importância da tecnologia e frear os avanços que ela trouxe também para a educação. A própria BNCC (Base Nacional Curricular Comum) prevê que a escola possibilite aos alunos a apropriação das linguagens das tecnologias digitais para tornarem-se fluentes em sua utilização.


O Arvense desenhou uma proposta de trabalho muito equilibrada e que atende as sugestões da Sociedade Brasileira de Pediatria de tempo de tela. Ela não se torna exaustiva, proporciona ao professor o uso de várias linguagens e mantém a criança conectada com essa cultura digital que é algo que chama o interesse delas. Aulas e atividades on-line, uma vez por semana, em horário contraturno, não traz danos para a aprendizagem, muito pelo o contrário, oferece mais tempo para a criança construir o próprio conhecimento, a partir das próprias experiências. Dessa forma, o que a modalidade on-line faz em relação à modalidade presencial é complementar o tempo e diversificar modos de relação com o novo conhecimento.


É preciso confiar na capacidade infantil de transitar nesse mundo tecnológico. Muitas vezes os temores são mais adultos que infantis. Diante disso, como andar para trás? Existe ainda aquela escola de “antes”?



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