Projetos Anuais

Macondo - 2022

Macondo é o nome popular de uma árvore e é também o nome da cidade fictícia em que se desenvolve o romance Cem Anos de Solidão, do colombiano, Prêmio Nobel de Literatura, Gabriel García Márquez. O romance fez de Macondo expressão simbólica da América Latina. Traduzida no Brasil pelo escritor Eric Nepomuceno, a obra vendeu, até 2017, 50 milhões de exemplares mundialmente e foi traduzido para 36 línguas. Gabo (como era conhecido Gabriel García Márquez) representou a história da civilização latino-americana nesse romance, numa espécie de macondismo: um paralelo entre a história da América Latina e a história de uma pequena cidade ficcional.

 

Macondo, como tema anual, justifica-se por sua relação com a cultura regional. Justifica-se nas possibilidades de incursões em modos de vida, em linguagens, em visões, em culturas, em conhecimentos, em literaturas, em valores do nosso continente, a América Latina.


Se educação é ciência e é cultura, é também nossa memória comum; nossa identidade. Continuando os objetivos e as intenções de nossos projetos recentes – Motirõ e Sankofa –, voltamos a investir na relação orgânica entre escola e cultura para explorar temas situados em nosso tempo e em nosso espaço.


Para o tradutor Eric Nepomuceno, essa grande obra não tem uma única linha panfletária porque Gabriel García Márquez era militante, sim, mas um militante da vida. Esse é o objetivo geral deste projeto, com foco na vida e na cultura de nosso continente.

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Arte Motirõ ID-01.png

Motirõ - 2021

Motirõ (motirô), palavra tupi-guarani, significa união de pessoas para a colheita ou a construção. Relaciona-se a mutirão para a construção do futuro, construção do ser humano no cenário geral global e específico da América Latina. No contexto da pandemia, significa pensar sobre a indiferença e o individualismo em momentos de problemas coletivos.

 

O conceito, portanto, visa a lembrar a importância da ação coletiva, sobretudo, em momentos cruciais, como contraponto à existência individualista. Motirõ (mutirão) propõe a abordagem da consciência em um percurso que vai do eu (minha identidade) ao sujeito (do conhecimento) .


Nossa cultura, cada vez mais indiferente à alteridade, ao outro, seu sofrimento e suas demandas, a outros valores morais, tem sido transformada pelo distanciamento que transforma a realidade em afastamento e em invisibilização e negação do outro. A indiferença é a administração das diferenças, criando vidas entre muros. O eu infla, enquanto o tamanho do nosso mundo diminui. Incita-nos ao moralismo e ao nosso individualismo egocêntrico, patologia social de recusa à diversidade. Ergue muros simbólicos, muros discursivos, que são o empobrecimento de nós mesmos para mantermos o conforto de nossa identidade única, mas gera indivíduos solitários, narcisistas, marcas do neoliberalismo. A saída é interessar-se pela diversidade e agir com e para o coletivo.

 

– nossa comunidade, nossa cidade, nosso país, nosso continente de raízes comuns –, que nos enriquece com novas formas de olhar, com novas perspectivas, com novas visões de mundo (Dunker, 2017).

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Sankofa - 2020

2020 mantém o grande desafio aos povos do planeta: a construção de um outro mundo possível, em que haja busca pela igualdade entre os seres humanos. Para essa sonhada igualdade, é preciso, antes, reconhecer diferenças históricas, culturais, geográficas de cada povo, de cada país, de cada continente do globo, pois essa igualdade não pressupõe homogeneização de identidades, de culturas, de representações, mas, ao contrário, valorização de cada peculiaridade, de cada diferença, de cada idiossincrasia. 

Um dos passos mais importantes na direção desse objetivo é a descolonização do pensamento e do conhecimento. O reconhecimento de que cada povo, cada tempo e cada espaço produz conhecimento e cultura próprios; tem uma identidade que faz parte da identidade de cada um de seus membros. Como se descolonizar? Voltando ao passado, às origens, à própria história, em um processo de autorreconhecimento. Esse é o significado de Sankofa: Sanko = voltar; fa = buscar, trazer. Palavra do povo Akan da antiga África Central, significa Não é tabu voltar para trás e recuperar o que você perdeu. De modo mais objetivo: voltar ao passado. No Brasil e em outras partes do mundo, saberes tradicionais têm sido colocados de lado para favorecer conhecimentos humanos de outras regiões do planeta (Oliveira, 2016).

O que o Arvense propõe para 2020 é aprendermos com o passado, para compreendermos o presente e projetarmos um futuro enraizado, firme, autêntico, nosso. Esse percurso alcança vários níveis de (re)conhecimento, do individual ao coletivo; do local ao global. Essa proposta se insere na função de transmissão cultural da escola, articulada aos conteúdos curriculares: conhecimentos, competências; crenças, hábitos e valores coletivos.

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IKIGAI - 2019

Ikigai significa vida que vale a pena; é a razão pela qual nos levantamos todos os dias pela manhã. Para os japoneses, todo mundo tem um, mas nem todo mundo sabe qual é, pois ele está nas profundezas do ser. Encontrá-lo é dar significado à própria vida; é ter um propósito. Qual é o sentido da sua vida? Qual é a sua missão?

Encontrar um propósito para acordar todas as manhãs, com alegria, é dar sentido à própria existência. É encontrar a própria razão de ser e, com um pouco de sorte, é abrir caminhos para uma vida longeva.

Na cultura individualista e produtivista, importa trabalhar o olhar para dentro de si, a descoberta das forças pessoais, o autoconhecimento, o olhar para o outro e para o tempo, superando o fazer por fazer, a cultura do consumismo.

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CHRONOS E KAIRÓS - 2018

"Era o relógio de meu avô, e quando o ganhei de meu pai, ele me disse: ‘estou lhe dando o mausoléu de toda a esperança e de todo desejo’”. O pai do grande William Faulkner considerava que o tempo do relógio seria pouco adaptado às necessidades individuais do filho, tanto quanto foi às dele e às do pai dele. “Dou-lhe este relógio não para que você se lembre do tempo, mas para que você possa esquecê-lo por um momento, de vez em quando, e não gaste todo seu fôlego tentando conquistá-lo.” Estava estabelecida, para um dos maiores escritores do século XX, a balança entre Chronos e Kairós.

Chronos é tempo; o tempo do relógio. É quantitativo: contamos horas, dias, meses. É o tempo linear. Organiza agendas, planos, calendários. O tempo do sinal verde, vermelho; o tempo da aula, do recreio; o tempo do almoço, do lanche. O tempo da História: guerra e paz. O homem faz. Tempo de natal, de carnaval, de festa junina. O homem cria, recria, referencia.

 

Kairós também é tempo, mas é o tempo das coisas, o tempo oportuno, a oportunidade que não se pode perder. É qualitativo: o tempo da chuva, o tempo da terra, o tempo da semente, o tempo de colher. É o tempo das estações: primavera, verão, outono inverno. O tempo é uma circularidade. O grande Deleuze definiu assim uma aula: uma espécie de matéria em movimento. Por isso, uma aula é musical; é tanto emoção, quanto é inteligência. Sem emoção, não há nada, não há interesse algum. Nessa circularidade dos conhecimentos, das interações, do próprio tempo, sentimos o deslocamento dos interesses infantis de um canto a outro da sala de atividades. Elas vão acordando, envolvendo-se, interessando-se. No tempo de Kairós, elas tecem um tecido colorido de significados.

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SOPHROSUNE - 2017

   Em 2017, a criança Arvense será

menos psicologia, menos pedagogia,

mais poesia.


       Sofrósina (sofrosina, em espanhol), sofrosine (sophrosyne, em inglês), sophrosuné (na tradução brasileira da obra O Eco Grego, de Edith Hamilton), sôphrosunê, sophrosune são algumas das escritas da transliteração grega sôphrosýnê, conceito grego que significa sanidade moral, autocontrole, moderação (temperança), comportamentos guiados pelo autoconhecimento1. Mais tarde, esse conceito passou a incluir a noção de prudência e a associar-se à doutrina apolínea do "nada em excesso" e do "conhece-te a ti mesmo".

Soprosune propõe o ser protagonista da própria vida. Longe dos discursos de autoajuda, o Conhece-te a ti mesmo reconhece que cada escolha é difícil e implica perda. Daí a grande responsabilidade ao fazermos escolhas, mas, segundo Karnal, a recompensa por essa escolha é a vida que vale ser vivida. O livro que leio significa mais conhecimento, mas menos contato com outros por alguns momentos. O silêncio que escolho em alguns momentos cala palavras que poderiam ser importantes, ou não. Por isso, o Conhece-te a ti mesmo implica sairmos da zona de conforto, que é uma decisão, uma escolha e cobra um preço. “Mudar (e mudar-se) é difícil. Não mudar (e não mudar-se) é fatal” (Karnal). Tornar-se sua própria obra, tornar-se quem é. “Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.” (Beauvoir), “Se hace camino al andar” (Antonio Machado, escritor espanhol). Torna-te o que tu és (Píndaro). Tornarmo-nos distintos, individuados, os únicos responsáveis por nós mesmos.

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