| A Educação e a Orientação Sexual - Paulo Freire |
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A EDUCAÇÃO E A ORIENTAÇÃO SEXUAL (por Paulo Freire)
Através das experiências e informações referentes ao sexo, cada um de nós está inserido, mesmo sem o perceber, num processo informal de educação sexual. Na relação com os pais, o ser humano adquire a capacidade amorosa e erótica que amadurecerá no decorrer da vida. Uma família que não demonstra afeto nem dá atenção às inquietações da criança e reage agressivamente a qualquer manifestação sensual está ensinando que o sexo é feio e proibido. Uma família que vive sua sexualidade de forma positiva transmite esse valor aos filhos. Tal experiência é insubstituível. Já a Orientação Sexual pretende preencher sistematicamente as lacunas de informação, discutir os obstáculos ao uso desses conhecimentos e aprofundar uma visão sobre a sexualidade. A escola é espaço privilegiado para a Orientação Sexual, pois favorece a reflexão sobre temas polêmicos num clima de respeito e liberdade de expressão.
OS AGENTES DO PROCESSO
A educação sexual ocorre de maneira informal e nos permite incorporar valores, símbolos, preconceitos e ideologias. As vivências de cada um vão moldando uma visão muito particular sobre sexualidade que pode ser mais rígida ou liberal, severa ou lúdica, dependendo dessas experiências ou influências. Não se vivem os mesmos valores nas diversas etapas da vida. O que se vivencia na fase infantil é sentido e avaliado de forma diferente na juventude, na idade madura e na velhice. A principal influência recebida desde a infância é a atitude dos pais frente à sexualidade. Tanto aquilo que efetivamente se faz como aquilo que se omite farão parte do modelo que a criança assimilará e lhe darão uma visão particular sobre sexualidade. Perguntas respondidas ou ignoradas, atos de carinho ou rejeição do pai ou da mãe entre si ou para com os filhos, atitudes, gestos ou palavras da sexualidade são os elementos com que uma criança conta para elaborar sua vida sexual. Tudo isso – o contato cotidiano da criança com os pais, o processo de socialização que se segue, a influência da mídia e dos grupos sociais – faz parte da educação sexual. A educação sexual é, portanto, um processo de vida, que permite ao indivíduo se modificar, se reciclar ou não, e só termina com a morte.
NA ESCOLA, QUEM ORIENTA?
A escolha mais adequada tem sido o próprio professor. Percebe-se que os laços que já existem entre docente e estudantes fornecem uma base para um trabalho de Orientação Sexual na escola. Conduzir bem os debates, criar oportunidades de expressão, ajudar a refletir, questionar os próprios problemas e incentivar a troca de opiniões são desafios permanentes no dia-a-dia da sala de aula. Conhecer e respeitar as crianças em seu modo de vida, idéias, valores e anseios é a base do trabalho educativo em geral e em especial sobre a sexualidade. Por ser uma experiência única, para ser abordada como tema de discussão, a sexualidade só requer um espaço de confiança e intimidade; aí se dialoga, se confrontam idéias, ocorrem vivências, trocam-se experiências e informações.
ABORDAGEM PEDAGÓGICA
Quem sempre deverá puxar a ponta é o próprio grupo. Uma turma possivelmente começará pelo namoro. O levantamento de temas num grupo pode ser feito através de uma “caixinha de perguntas”. O planejamento leva em conta as características do grupo, o que significa estar atento ao que pode ser modificado a partir das discussões em classe. O passo seguinte será a efetivação do trabalho. Além da verbalização das crianças, pode-se utilizar a leitura de textos, material audiovisual, revistas, vídeos educativos.
PROCEDIMENTOS
Alguns dos procedimentos básicos de abordagem do assunto são:
(Para saber mais: GTPOS. Sexo se aprende na escola. SUPLICY, Marta (org.). SP: Olho D’ Água, 2000).
*Apresentação das pranchas e do Livro Papai, mamãe e eu.
Comentários/Sugestões:
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